O que um gajo faz para matar o tempo enquanto não chega o reboque do acp

26 Fevereiro 2007

Como todos já terão reparado, a actualidade portuguesa balança entre um Carnaval arrastado na Madeira, outro no CDS, outro na Câmara de Lisboa e ainda outro nas urgências do hospitais. Não é a mesma coisa que umas declarações do nosso Pinho, ou um flick flack à rectaguarda da Nadia Comaneci, mas é o melhor que se pode arranjar desde que somos um país livre até às dez semanas e, claro, face à impossibilidade legal de procriação – com adopção incluída – assistida entre homens e libelinhas. Custa-me ver o país a deixar-se levar no amornamento global, sem conseguir trazer novos dados para a agenda internacional, a não ser o rebentamento de gazes em Carnaxide, as marés na costa da Caparica, o ar de codorniz mal grelhada do nosso Durão Barroso, e, não podia deixar passar, as Valquírias – tão bem alembradas aqui pela patroa deste estabelecimento – compostas por aquele rapaz com nome de médio defensivo brasileiro nascido no Paraná e trazidas para Portugal por aquele gajo com nome de desentupidor nasal. Tomando em linha de conta que tenho ouvido bem mais Jens Leckman e Jeff Buckley do que um cérebro normal está disponível para assimilar, até posso dizer estou a suportar bem a realidade em geral, os negócios em particular, a paternidade responsável no que concerne, e as relações homem-mulher em concreto, designadamente as de platonismo invertido, ou seja, as que representam uma espécie de banquete na caverna- os gregos que sirvam ao menos para fazer metáforas que ninguém perceba. Este pequeno desvio da realidadezinha pode parecer uma deficiência no discurso, mas não é, trata-se dum expediente de retórica para chegar ao ponto certo: queiram desculpar mas chegou o reboque, está um frio do caralho, e nem cheguei a falar da minha vizinha de baixo, que, efectivamente foi o que me levou a vir até aqui; em modo subliminar, é claro.


notes on a scandal (*)

24 Fevereiro 2007

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 Alvalade, 230207

(*) Zoë Heller, 2003


The Buggles reloaded

22 Fevereiro 2007

YouTube Killed The Blogspot star


liebling Sünden

21 Fevereiro 2007

«Wer meines Speeres Spitze fürchtet,/ durchschreite das Feuer nie!»

Wagner – Die Walküre

Última cena (3ª) do 3º acto d’A Valquíria - Richard Wagner (Bayreuth, direcção de Pierre Boulez, Donald McIntyre como Wotan)


Anita em S. Bento

20 Fevereiro 2007

Com Sócrates no condomínio

Sócrates, mulher a dias diplomada da nossa democracia pós guterriana, avançou que ‘não tem uma agenda de temas fracturantes’. Dando de barato que não era uma recado subliminar para correia de campos fechar mais umas urgências de ortopedia, devo dizer que fiquei com o mesmo descanso com que fica o caniche da minha vizinha de baixo quando esfrega o focinho e lambe na bata da cabeleireira rosnando «isto é demasiada camomila para a minha papila» (e assim ficou o primeiro pensamento canino do mundo entre aspas).

Com Sócrates a ler Alain de Botton

Sócrates, resultado dum programa de auto ajuda em que o PS esteve inscrito, mas sem registo youtubado, apresenta-se à plebe como o governante das causas certeiras, das que nem vale a pensa descortinar uma causalidade mínima, procurando elevar o common sense ao estatuto de filosofia política e antecipando uma nova lei natural baseada no stupidus lupus stupidum.

Com Sócrates no divã com J. Machado Vaz

Sócrates, percursor duma nova terapia sexual em que primeiro vem o sexo e depois os preliminares, parece o recepcionista dum banco de esperma: começa por perguntar ao povo quando foi a última vez que ejaculou e depois diz para reclamarem com o tubinho se não fertilizarem em condições. Pois, já se sabe, não é por muito país-ovário querer fecundar que um povo-espermatozoide fica de rabo a abanar.

Com Sócrates a brincar ao Mr Bean

Sócrates analisava os nossos tiques de povo amante do petisco mas desconfiado de pratos muito decorados, sabia que gostávamos de fungar mas não nos incomodávamos com o pingo no nariz, e por isso concluiu que se devia gastar dinheiro em guardanapos mas em lenços já seria um desperdício. E mandou retirar os espelhos do mercado.

Com Sócrates a confessar-se ao padre Américo

Sócrates, beato do pragmatismo social, desenvolveu a moderna teoria de tirar a uns pobres para dar a outros pobres e tirar a uns ricos para dar a outros ricos, evitando assim promiscuidade e alargando a base de apoio. Como diria qualquer santo de altar: o importante é uma boa base de apoio perto duma caixa de esmolas encerada qb. Ou, como diria o próprio Redentor: ‘o que está feito, está feito’.

Com Sócrates a cantar Jorge Palma

Sócrates sabia que o país estava ‘frágil’, e pôs-lhe o braço no ombrinho, demonstrando que nunca mais ‘jeremias, o fora da lei’ o iria incomodar, e iria transformá-lo na ‘terra dos sonhos’, onde todos poderão ser quem quiserem, ‘à espera do fim’, que nos assentará como uma luva. Mas, até lá, ‘deixa-me rir’, pela tua rica saúde, até porque ‘a gente vai continuar’.


pur’prazer

19 Fevereiro 2007

Doce - Ok Ko

 

Nota: se mal pergunto, ainda vai demorar muito até vir limpar as teias de aranha aqui da xafarica? É que já não deve ser possível descer o nível muito mais sem que isto se comece a parecer com um blog de referência, tenha santa paciência…


cooling & counting

19 Fevereiro 2007

não fosse eu uma simpatizante da PETA e hoje ter-te-ia dito, logo ao acordar, “estou apenas vestida com a tua pele” (mas não, assim não posso…)


aye que calor, señor…

16 Fevereiro 2007

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© Gil Elvgren @ Great American Pin-Up


É de facto uma pena

14 Fevereiro 2007

É péssimo ter uma ideia que achamos gira, engraçada até, buliçosa, reboliçosa mesmo, para os neurónios, inclusivé, e estar a dar-nos um sono de caixão à cova, aquele apelo de almofada ao qual qualquer humano com as hormonas no sítio é incapaz de resistir, a chamada vertigem de leito, o verdadeiro apelo da horizontalidade. Ainda começamos a tentar espremê-la – não confundir com espermê-la – e é quase como que se o teorema de fermat se transformasse num pitágoras requentado. É uma pena um homem não lhe apetecer ter ideias profundas e bem articuladas – sim dessas, como antigamente – a partir da hora em que as crianças já estão a dormir – e então quando se viciaram a adormecer treinado rimas, ainda piora – é o drama do pai responsável (mesmo fora do modelo monoparental), o drama do chefe de família (modelo patriarcal, mitigado), o drama do cabeça de casal (dentro do modelo de comunhão de adquiridos) , enfim, basicamente, é o drama dum gajo que lá tem as suas coisinhas. E isto leva-me à tal ideia. Sócrates, que já tinha passado o período de reflexão, e extravasado em muito as 10 semanas, agora queria remodelar, mas estava com pena. Já se tinha afeiçoado à gaffes do nosso M. Pinho (é pá agora começou a Quadratura do Círculo… concorrência muito forte às gaffes do Pinho…), sabia que o povo também já contava com elas, chegou a temer que ele se chegasse a pronunciar a favor do ‘sim’ mas esse susto acabou por passar – o Público até tinha feito agora um investimento grande de imagem e era inglório tirar-lhe o pãozinho da boca – enfim, Pinho era um activo da sua governação- ali a meio caminho entre Braga de Macedo e Carlos Borrego (fazendo Macário Correia parecer um autêntico Churchill de Tavira) – em inglês asset, inclusivé, eu avisei que o sono dá estes esgares de humor forçado e decadente, e o Pacheco Pereira está a fazer aquele efeito com os dedinhos tipo fecho éclair, irresistível, se bem que os dois polegares espetados em arco a fazer de corninhos já não conseguem o mesmo efeito, bem voltemos a Sócrates, não, volto outra vez à QdC, é pá o Jorge Coelho disse que: ‘fez-se história em Portugal’ e a Êropa… – é feio brincar com as formas de falar dos outros meninos,eu sei, farto-me de dizer isso ao meu filho… – agora já não acha que ‘somos umas aves raras’. Eu por acaso até gostava de ser ave rara. Uma catatua, por exemplo; tanto mais que um pensamento obtuso ao quadrado, se obtém com a soma dos quadrados de duas catatuas, – o pitágoras havia de aparecer, eu avisei – e não há nada como um pensamento obtuso para adormecer com os anjos. Aliás, eu agora até vou pensar em como montar um negócio relacionado com os ‘períodos de reflexão’. ‘Clínica dos Arcos de Ofir – junta-te a nós e vem reflectir’. Porque, como diz o Jorge Coelho: ‘isto não é assim’, ou, como diria o nosso Guterres: 3 X 6 = 18.


ja ik

14 Fevereiro 2007

LUV’ – Ooh Yes I Do