O que um gajo faz para matar o tempo enquanto não chega o reboque do acp

Como todos já terão reparado, a actualidade portuguesa balança entre um Carnaval arrastado na Madeira, outro no CDS, outro na Câmara de Lisboa e ainda outro nas urgências do hospitais. Não é a mesma coisa que umas declarações do nosso Pinho, ou um flick flack à rectaguarda da Nadia Comaneci, mas é o melhor que se pode arranjar desde que somos um país livre até às dez semanas e, claro, face à impossibilidade legal de procriação – com adopção incluída – assistida entre homens e libelinhas. Custa-me ver o país a deixar-se levar no amornamento global, sem conseguir trazer novos dados para a agenda internacional, a não ser o rebentamento de gazes em Carnaxide, as marés na costa da Caparica, o ar de codorniz mal grelhada do nosso Durão Barroso, e, não podia deixar passar, as Valquírias – tão bem alembradas aqui pela patroa deste estabelecimento – compostas por aquele rapaz com nome de médio defensivo brasileiro nascido no Paraná e trazidas para Portugal por aquele gajo com nome de desentupidor nasal. Tomando em linha de conta que tenho ouvido bem mais Jens Leckman e Jeff Buckley do que um cérebro normal está disponível para assimilar, até posso dizer estou a suportar bem a realidade em geral, os negócios em particular, a paternidade responsável no que concerne, e as relações homem-mulher em concreto, designadamente as de platonismo invertido, ou seja, as que representam uma espécie de banquete na caverna- os gregos que sirvam ao menos para fazer metáforas que ninguém perceba. Este pequeno desvio da realidadezinha pode parecer uma deficiência no discurso, mas não é, trata-se dum expediente de retórica para chegar ao ponto certo: queiram desculpar mas chegou o reboque, está um frio do caralho, e nem cheguei a falar da minha vizinha de baixo, que, efectivamente foi o que me levou a vir até aqui; em modo subliminar, é claro.

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