Ecce homo abandonatis

28 Março 2007

É triste, mas é verdade. A patroa aqui do estabelecimento não liga nenhuminha ao que eu escrevo; e dedica-se, inclusivé, a elaborar grandes e sofisticados textos sobre o que outros meninos escrevem em torno de obtusas correlações e causalidades relativas ao empolgante tema da condição feminina. Estou a enciumar, é oficial. É que nem um mailezinho com uma palavra de conforto, nem uma sms com um smilezinho, ou mesmo com um ‘ó querido tem que se esforçar mais’, ou até um ‘perdeu a piada e o jeito, dedique-se a fazer spin-offs, e a explorar trabalhadores indefesos e envoltos em precaridade’; é que já nem peço um postezinho com mais de 3 linhas sem itálicos, já praticamente só peço uma palavra de ânimo, do género: «ânimo!»; estou objectivamente relegado para um mero valete de companhia aqui do blog, mero bloguista objecto, uma pura bucha para preencher o espaço entre os posts incrivelmente interessantes e bem pensados, que outros meninos superlativamente interessantes e cultos escrevem noutros blogs genuinamente interessantes e profundos. Já nem sou propriamente um verbo-de-encher, julgo não sair sequer do estatuto de advérbio circunstancial de encher. Sinto-me na prateleira dos afectos, um prêt-a-porter de trocadilhos de efeito duvidoso, um dr house sem cameron. Repito, é oficial, enciumei, estou ferido nas minhas réstias de orgulho, e prenhe daquela clássica insegurança varonil que assola o género masculino entre os momentos de euforia e os de deslumbramento, e que só passa com duas pastilhas para a azia e umas festinhas com unguento.

Anúncios

unbreakable, he said (*)

27 Março 2007

0033556.JPG

 

(*) ou «a alma do objecto dele vista do lado do seu sujeito com jardim de flores, copos meio-cheios e garrafas meias-vazias ao fundo»

 


a puezia do dia

25 Março 2007

de quêim êue guosto neim àis parêides cunfeço…


«Sou outra pessoa!»

25 Março 2007

Mudou para Elseve anti-caspa da L´Óreal ou abriu o seu enésimo blog anónimo?


Apenas um post com poucas cenas de sexo e sem música

22 Março 2007

Uma das mais luminosas revelações relatadas dos Evangelhos é a de que as pessoas se aproximaram de Jesus pelos mais diversos motivos: ou porque Ele os interpelava directamente, ou por curiosidade, ou porque queriam um milagre à borla, ou porque se sentiam pecadores, ou virtuosos, ou por acaso, ou porque O queriam lixar, ou porque eram importantes, ou porque eram miseráveis, ou porque eram una ‘maria vai com as outras’, ou porque tinham a mania que eram diferentes, ou porque não tinham nada para fazer, ou porque queriam aprender, um rol delas. Durante estes dois mil anos as coisas passaram-se sempre da mesma forma, a ligação entre o homem e Deus não está relacionada com nenhuma uma razão específica, nenhum temperamento específico, nenhuma aculturação específica, e não se manifesta com um padrão, não exige sequer um mesmo tipo de adesão emocional e racional.

Por outro lado, os agnosticismos e os ateísmos são muito mais estereotipados. Desabrocham dum desequilibro entre os binómios ilusão/desilusão e causalidade/desconhecimento, alimentam-se dos óbvios desinteresse/necessidade e ruminam uma inevitável tolerância intolerante, que nem uns jaquinzinhos fritos a olhar para o arroz de tomate.

O congregacionismo a que geralmente se associa o fenómeno religioso não é mais que uma consequência da nossa condição, e mesmo esse é vivido de forma errática e muito diversa. A Igreja, enquanto ‘Algo’ fundado por Cristo numa pura óptica instrumental, tal como Ele próprio na Redenção, dalguma forma, reflecte isto mesmo: o equilíbrio entre a função de intermediação e a de apoio técnico, e, claramente, profit oriented. Jesus, quando morreu na Cruz, tinha duas opções naquele momento: ou safar o bom ladrão , ou fundar com ele uma ONG, escolheu a que tinha resultados mais imediatos.

A ligação da Igreja a fenómenos civilizacionais ou culturais, funciona com os mesmos mecanismos da Coca Cola, ou da Marilin Monroe, ou do abstraccionismo, ou seja, é causa e consequência ao mesmo tempo; funciona para a alma humana da mesma maneira que a saia nas pernas da mulher: ora travada, ora rodada, mas sempre para deixar os homens perdidos com a sua sensualidade e graça.


e você?

19 Março 2007

já deu palha ao seu burro (cavalo, é? ah…) de tróia hoje? (pergunte-lhe ao ouvido se quer mais)


ao pé disto o cioran parece o roger martin do gard

19 Março 2007

não acredito na força da palavra, não acredito na força das ideias, acredito sofrivelmente na força bruta, já acreditei mais na força da mente, acredito pouquíssimo, mas ainda assim algo, na força das imagens, mas acredito no cagaço, no pânico, no terror, no desenmerdanço, no dar de frosques, no colinho da mamã, na pasta de dentes, num sinal da cruz bem feito, num beijo bem dado, numas costas largas, numa ecografia, numa dor de cotovelo, numa lágrima bem tirada, num encolher de ombros, no papel do filtro dos ‘gitanes’ quando se cola ao lábio, na misericórdia divina, na comichão que é sempre um bom sinal, na doçura dum deixa andar, e nos amores de livro, onde amar é amar.